Temos lutas constantes para cultivar e manter nosso caráter de nobreza. Estamos em uma zona de combate de uma batalha feroz, não conheço outra coisa que exija mais tempo, mais trabalho e esforço do que a tarefa de eliminar os maus hábitos. Para ganhar esta luta é preciso desejar estar acima de toda e qualquer mediocridade.
No cenário desta guerra estão alguns inimigos que precisamos identificar e atacar para ter a esperança de atingir o nível da excelência. Eu acredito que um desses inimigos é a “cobiça”. E como todos os outros, esse adversário tem morte lenta e dolorosa. Haverá momentos em que acharemos que não temos cobiçado, mas a cobiça sempre surgirá contra nós por outro ângulo.

Convido você para dar uma olhada mais de perto na cobiça. Ela é um desejo desordenado que faz com que a pessoa queira mais, mais e mais, tomada por uma ansiedade e insatisfação. Esse movimento vai prendendo, cravando garras, oprimindo e imobilizando. No seu vocabulário não existe a palavra suficiente. Se parece muito com a inveja e o ciúme, considerados “irmãos” da cobiça. Mas a cobiça é diferente das seus “irmãos”, pois a inveja é o desejo de possuir o que a outra pessoa possui. O ciúme é o desejo de possuir o que já possui. Mas quem cobiça está permanentemente insatisfeito mesmo já possuindo muito, e isso gera um ciclo trágico, sem descanso. Uma paixão que cria um cativeiro.

Além de identificar os nossos maus hábitos, nós precisamos conhecer as suas faces ou raízes que revelam se estou ou não dominado por eles. A cobiça tem pelo menos quatro caras: A primeira é a máscara do dinheiro, um jeito insano de ganhar, custe o que custar. A propósito, você não precisa ser rico para ser cobiçoso, existem pessoas que nem tem dinheiro, mas são cobiçosas. Outra face é a das coisas, das posses materiais. Se você analisar vai perceber que nunca temos o mobiliário suficiente ou o certo, o tapete certo, a cortina que gostaríamos ou o carro que sempre quisemos ter. Em terceiro lugar, a cobiça poderá usar a face da fama, desejo de se tornar mais famoso, ter um nome conhecido, ser estrela, debaixo de holofotes e ser vista nos círculos das celebridades. Eu acho lindo demais encontrar homens e mulheres famosos que ainda são acessíveis, simples, reais, ainda vulneráveis e ainda arranjando tempo para família e outras pessoas. Por último a cobiça pode usar a face do controle, desejo descontrolado por controlar e obter mais controle. Ter domínio de alguma coisa ou pessoa, estar sempre no poder, dono da verdade, o instinto do manipulador.

O Senhor Jesus percebeu que as coisas materiais podem exercer tremendo domínio sobre a humanidade, e ensinou um princípio no evangelho de Lucas capítulo 12, verso 15: “Então lhes disse: Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade de seus bens”.

Em nossos dias não há nada de errado em ter bens, e tão pouco em levarmos uma vida confortável, ou ainda em ter uma imensa fortuna se a pessoa que a ganhou a usa corretamente. Desde que se entenda que Deus deu para nos abençoar, pois quando temos e podemos isso aumenta a chance e a capacidade de darmos mais também.

A cobiça em nossa vida não será vencida sem luta. Precisamos de quebrantamento, pois o ensino de Jesus e sua missão o levam a morte de cruz, totalmente quebrantado diante do pai, entregando todas as coisas nas mãos de Deus. Decida aqui na terra se você deseja ser rico no céu, para isso decida não fazer a sua vontade aqui, para garantir o seu caráter de nobreza a partir de hoje, sentenciando o fim da cobiça no seu coração.

Pr. Júlio Florêncio

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