A Comissão das Nações Unidas sobre População e Desenvolvimento, CPD, realizou este ano uma conferência que examinou as ações adotadas pelos Estados-membros nos últimos 20 anos com o objetivo de melhorar a vida e solucionar os problemas das pessoas e alertou que uma população mais velha e urbana cria novos desafios e oportunidades para os países. Este é um fato muito atual em nossos dias: cada vez mais teremos uma população que envelhece com mais qualidade de vida chegando à melhor idade com uma perspectiva muito diferente do que no passado.

Algo que muito me intriga é uma definição ou paradigma relacionado ao envelhecimento, de que as pessoas se tornam mais duras, amargas e ranzinzas. Creio que como cristãos precisamos lançar fora este sofisma de que ao envelhecermos nos tornaremos piores e pessoas de difícil relacionamento. Como alguém que à medida que amadurece em sua fé, cresce espiritualmente, se relaciona com o Espírito Santo, pode se tornar pior? Em Gálatas capítulo 5 Paulo nos fala sobre as qualidades do fruto do Espírito Santo que são o amor, a amabilidade, alegria, bondade, domínio próprio, fidelidade, mansidão, paz e paciência, e estas são a meu ver as qualidades desenvolvidas em nós no processo de santificação.

Certamente não podemos deixar de observar o fato de que fisicamente ano após ano todos iremos perder gradativamente o vigor físico e a força da juventude e que isto gera desconforto, pois como o tempo passa mais rapidamente após os trinta (pelo menos é o que parece) muitos não se adaptam a esta nova realidade, o que pode trazer insatisfação pessoal e algum dissabor nesta etapa da vida.

É preciso sim reaprender e ter visão espiritual do momento em que se está vivendo, valorizando o conteúdo, a experiência, a maturidade, e tendo em mente que mesmo após os cinquenta, sessenta ou setenta anos você pode continuar produtivo, sonhando, investindo, empreendendo, aprendendo e contribuindo para um mundo melhor e para ampliação do Reino de Deus.

Fico pensando no meu futuro, ao passo que cheguei aos cinquenta, e como Deus tem me dado sonhos e uma visão de trabalho de muita intensidade para os próximos anos. Isto me tem feito refletir sob este ângulo por ter ouvido muitas pessoas, até mesmo jovens, na faixa dos trinta anos, falarem que à medida que envelhecem ficam assim mesmo, chatos, sem paciência e muito exigentes, não aceitando mudanças e que não tem mais jeito, vão morrer assim.

Na Bíblia temos muitos exemplos de homens que chegaram à velhice muito bem e realizaram grandes obras nas mãos de Deus, como Moisés, Calebe e alguns dos profetas. Exemplos em nossos tempos como Billy Graham, e alguns empresários como Roberto Marinho, Abílio Diniz, Warren Buffett, Oscar Niemayer, um gênio da Arquitetura que viveu 105 anos, dentre outros que se tornaram referência na sociedade com muita influência por demonstrarem na prática que podemos envelhecer sem perder as perspectivas desta etapa da vida em termos de produtividade.

Vemos uma população com uma maior perspectiva de vida. Podemos e devemos valorizar os talentos, experiências, recursos e conhecimento e todos devem ser incentivados a buscar novas oportunidades. Não é possível para um cristão maduro se aposentar aos sessenta anos e pensar que a partir dali só vai pescar e viver em função do lazer, há muitas necessidades para servir no Reino de Deus. Creio que o que pode tornar as pessoas amargas é o fato de não terem propósitos definidos para esta fase de suas vidas e a inatividade gerará um estilo de vida sem visão e objetivos para o futuro.

Gosto muito da afirmação de Paulo: “Combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé.” 2 Timóteo 4.8. Tenha a convicção de que o melhor de Deus ainda está por vir e que é no final da pista que o avião decola. É só o começo.

Pr Sérgio Ivo

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