Em nosso mundo industrial e mecânico, é fácil distanciar-se do natural. Em nosso mundo urbano e virtual, é fácil confundir realidades e enganarmos a nós mesmos. É fácil iludir-nos, acreditando que estamos no controle de tudo. Criamos máquinas que nos transportam a altas velocidades, inventamos equipamentos para a comunicação em tempo real a quilômetros de distância, mudamos a forma de nos relacionarmos a partir de aplicativos de celular.
Só não inventamos máquinas de felicidade.

Muitos tentaram, é claro. Todos nós fizemos estas tentativas. Talvez não patenteamos essa invenção, nem a disponibilizamos em Android e IOs. Mas, certamente, criamos mecanismos, compensações e hábitos que cumprem a função de produzir um alento para nossa alma, válvulas de escape para nossas dores e anseios. Construímos sobre o dinheiro, o prazer e (até!) em outras pessoas a ilusão de que poderíamos criar um jeito definitivo de suprir nossa sede interior. Tem gente por aí querendo encher a árvore de natal de presentes, como se isso preenchesse seu próprio coração ao fim deste ano.

Já disse um autor cristão que Deus não segue a lógica da fábrica, mas da fazenda. É um Deus orgânico, de ciclos e de estações. É um Deus que faz brotar nosso espírito, não o fabrica numa linha de produção. Quando Jesus nasceu, a realidade da natureza estava por todos os lados. Passou por um parto normal, foi envolto em panos e posto sobre uma manjedoura (Lucas 2.12). Nada esterilizado, nada burocratizado, nada alardeado nos jornais.

Neste Natal, deixe o Deus que inventou o conceito do nascer tocar sua alma. Deixe que Ele faça coisas novas florescerem em sua vida. Será um pouco assustador, nada organizado e muito surpreendente. Afinal, Ele não fabrica, Ele cultiva. Ele espera e aprecia. Ele faz nascer um milagre, aos sons de cânticos angelicais e sinais dos céus, em lugares simples e até sujos, como nossos corações.

Lembre-se: não existem máquinas capazes de produzir felicidade. O que existe é uma fonte de alegria. Tenha um feliz Natal!

Pra. Mariana Madaleno